Parece, mas
não é!
“Admiro-me de
que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça
de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho”
(Gl 1.6-7).
Quem
tem mais de quarenta anos de idade, com toda a certeza, se lembra da frase que
dá o título a esta pastoral. Ela era dita em um comercial para a televisão de
um xampu denominado “Denorex”. Aliás, a expressão ou gíria “Denorex” foi usada
bastante tempo, era igual a dizer que algo era fajuto, falso, cópia ruim e etc.
Pois
é, infelizmente é possível acrescentar ou tirar alguma coisa do Evangelho que o
faz parecer Evangelho, mas não é. Parece estar tudo lá, as Escrituras,
as promessas, os milagres, os mandamentos, a moralidade e algumas aparições e
manifestações de Jesus Cristo e do Espírito Santo. Mas às vezes, o que há é a
semelhança ao Evangelho, mas não o puro e verdadeiro Evangelho. Não é
difícil adulterar as Boas Novas do Reino, na verdade, nascemos programados para
isso. Nascemos com o Know - How de como fazer esta falsificação. Nosso coração
depravado e inimigo de Deus já nasce predisposto à rebeldia e ao ódio.
Aqui começa o nosso problema com as falsificações do Evangelho. Há muitos que
ensinam que tornar-se um cristão é na verdade um aprimoramento das virtudes já
existentes na vida. É mais ou menos afirmar que um homem é honesto, bom,
caridoso, bom pai de família, bom marido, respeitoso e respeitável, então, o
que lhe falta é apenas o Evangelho. É a cereja do bolo. Ele já merece o céu e a
bênção pelo modo como conduz a sua vida, só lhe falta introduzir a religião do
Evangelho em sua jornada de vida. Ledo engano. Mentira diabólica. Há os que
ensinam que tudo que o Evangelho significa é uma mudança de comportamento. É a
firme resolução humana de abandonar hábitos mundanos, vícios e passar a
cultivar uma certa moralidade. Por si só estas coisas já são boas, reconheço
isso, mas, ainda não é o Evangelho. Há ainda os que transformam o Evangelho numa
espécie de um mundo mágico, uma espécie de realidade paralela onde tudo
acontece com a invocação de poder
e a utilização de certos dons e poderes especiais que capacitam o homem para o
sucesso e a prosperidade. Outro engano. Mais uma mentira.
Parece Evangelho, mas não é. Se
você retira a Cruz do centro da mensagem já não há mais como encontrar a
Cristo. Sem Cruz, sem Cristo, sem Evangelho. Se você introduz qualquer outra
coisa, uma espécie de “plus”, algo além da suficiência de Cristo, como a
moralidade, o comportamento, a resolução da vontade ou revelações ou
manipulação de poderes quase mágicos, o que você fabrica é um Evangelho impuro
e espúrio. Então, do que se trata o Evangelho? O que é o Evangelho? É aquilo
que Cristo fez na cruz em obediência à vontade de seu Pai para salvar pecadores
imundos. Ninguém tem direito à Graça, à bênção, à misericórdia e à salvação. E
mais, na verdade o homem deixado a si mesmo sequer deseja Deus e fazer a sua
vontade, por melhor que ele possa parecer: “a
mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem
pode fazê-lo” (Rm 8.7). Vejam o que as Escrituras afirmam, “nem
pode fazê-lo”. Não é só que o homem natural não queira, ele não quer
mesmo, mas ainda que desejasse algo de Deus, não o poderia. O Evangelho genuíno
é aquele que aponta para a imensa Graça, a imensurável Graça de Deus que em
Cristo ama, salva e resgata quem não pode oferecer nada em troca, que não
merece coisa alguma, quem não possui coisa alguma em seu currículo que
justifique tamanho amor. É infinitamente desproporcional e ilógico o
Evangelho que tem a cruz como centro, é um insulto à inteligência e ao orgulho
humano. Pois o preço, o sangue de Cristo é preciosíssimo e a mercadoria
comprada (eu, você, os salvos), não valíamos nada: “Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são
como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniquidades
nos levam para longe” (Is 64.6). Nosso coração depravado nos leva a crer
que Deus nos deve algo, que ele nos deve misericórdia, que ele nos deve
bênçãos. Mas, o problema é que Ele não nos deve nada. Nós é que antes da
salvação tínhamos uma dívida impagável que foi quitada na Cruz e assim fomos
reconciliados com Deus, justificados na retidão de Cristo. É a justiça de
Cristo que justifica a nossa salvação e não algo que Deus possa encontrar em
nós. Nem fé, nem boas obras, nem caridade. Na verdade, a fé é o resultado da
Graça, da salvação. As boas obras são a inevitável consequência de sermos
transformados em nossa natureza pecaminosa em santos. E o amor, passa a
ser um mandamento, um serviço e nossa credencial de identificação com Cristo,
como filhos de Deus. O verdadeiro Evangelho exalta a Cristo, Exalta a Deus e
coloca o homem em seu devido lugar. De fato, uma vez que fomos resgatados por
Cristo, lavados e purificados em seu sangue e recebemos fé e capacidade para
crer e iluminação suficiente para entender as Escrituras, nosso padrão Moral e
Ético sofrem drástica mudança. Todas as áreas de nossa vida são afetadas pela
presença do Espírito Santo e pela reforma de nossas vidas à luz do Evangelho.
Todavia, há algo mais. O genuíno Evangelho ensina que tribulações, injúrias,
perseguições, sofrimentos são o selo de
autenticidade da mensagem. Se sua vida é um “mar de rosas” depois que você
“virou” Evangélico, acho que foi só isso mesmo que aconteceu, você mudou de
religião ou Igreja, mas não teve a sua natureza transformada pelo Evangelho da
Graça! Ainda não há Evangelho em sua vida.
(Rev.
Luiz Fernando Ministro da IPCI).
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