LITURGIA DO CULTO
18 DE DEZEMBRO DE 2016.
Hoje gostaria de
ceder o espaço desta pastoral ao maior de todos os pensadores da Igreja, desde
o Apóstolo Paulo, Agostinho de Hipona. Católicos Romanos e Protestantes são a
seu modo, devedores deste gigante do cristianismo. Às portas do Natal, deixemos
que Agostinho nos instrua nesta verdade de fé que desejamos celebrar com
beleza, devoção e inteligência no domingo próximo:DO TRATADO DO EVANGELHO DE JOÃO, DE SANTO
AGOSTINHO, BISPO E DOUTOR DA IGREJA:“Para que nasçam os homens de Deus foi preciso que
primeiro nascesse Deus dos homens, Cristo é Deus, e ele nasceu dos homens.
Somente procurou mãe na terra, quem já tinha Pai nos céus, Aquele mesmo que
nasceu de Deus, é nosso Criador, é também nosso reparador, nascido de uma
mulher. Não te estranhe, ó homem, ser filho de Deus pela graça; não te estranhe
o teu nascimento de Deus à semelhança de seu Verbo. É o mesmo Verbo quem
consentiu nascer primeiro do homem com a finalidade de assegurar-te mais sobre
o teu divino nascimento.Agora sim, podes perguntar-te a ti mesmo por que razão Deus quis nascer
do homem. É que foi tanto o que amou que, para fazer-me imortal, quis nascer
ele mesmo por mim de uma vida mortal. O evangelista depois disse: Eles nasceram
de Deus, como previa nossa admiração, nosso assombro e estremecimento em
presença de graça tão singular, até o ponto de parecer-nos incrível que os
homens nasçam de Deus: e com a finalidade de dar-nos, a partir desta verdade
garantias de segurança, prosseguiu: E o
verbo se fez carne, e habitou entre nós. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e seu nascimento é o colírio que limpa os
olhos de nosso coração, e desta forma já podem ver sua grandeza através de suas
humilhações. O Verbo feito carne, que viveu entre nós, é quem curou os nossos
olhos. E o que diz o evangelista na continuação? E vimos a sua glória. Ninguém
pode ver sua glória se não for curado pelas humilhações de sua carne. E por que
não podemos vê-la? Atenção, meus irmãos, e compreendereis o que quero dizer. A
poeira e a terra que caíram nos olhos do homem foi que lhes lesionou e
obstaculizou a contemplação da luz. A estes olhos se lhes dá, depois, uma unção
com o pó da terra para que curem, porque também foi a terra a causa de suas
feridas. Os colírios e os remédios não são mais do que terra. O pó fez perder a
vista e o pó a devolverá. A carne foi a causa de tua cegueira, e a carne será a
que fará desaparecer. O consentimento nos afetos carnais fez que a alma fosse
carne, e disso veio a cegueira do coração.O Verbo se fez
carne:
Eis aqui o médico que te preparou o colírio. O Verbo veio desta maneira para
extinguir por sua carne os vícios da carne, e destruir com sua morte o império
da morte. Por isso, graças ao produzido em ti pelo Verbo feito carne, tu podes dizer: Contemplamos a sua glória. Que glória é esta? É a glória de ser
filho do homem? Ora, isto é mais humilhação do que glória. Até onde alcança a
vista do homem curado pela carne? Temos visto, diz, a sua glória, glória do
Filho único do Pai, cheio de graça e de verdade... Por agora o que foi dito
basta. Transformai-vos em Cristo, e que se fortaleça a vossa fé, e permanecei
sempre em vigilância e no exercício das boas obras. Não vos separeis nunca do
lenho, que é o único meio de passar o mar.”Desejo irmãos que as festividades que envolvem o
Natal do Salvador sejam uma abundante fonte de consolação e esperança para
todos quantos confessam que Jesus Cristo, feito homem, é o único meio pelo qual
Deus o Pai, efetua em nós a salvação. E que, como igreja, anunciemos ao mundo
que naquela noite alvissareira quando Cristo veio à luz deste mundo assumindo
nossa carne do ventre de Maria, uma fonte inesgotável de graça e misericórdia
se abriu aos pecadores. Corramos pressurosos para essa fonte, nela nos banhemos
e nela matemos a nossa sede de vida.